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  • Rodrigo Oliveira

Sobre copos, marcas e pessoas

Atualizado: Fev 25

Um dos grandes homens na história recente da humanidade, o físico inglês Stephen Hawking, ensinou, com sua personalidade, como devemos olhar para as coisas da vida: olhar para frente e ver o copo “meio-cheio”, procurando uma maneira de enchê-lo completamente.



A gente sempre pode escolher que lado vamos enaltecer. É a velha história do copo meio cheio ou meio vazio. Uma vez, quando eu tinha uns onze anos, meu pai trocou o nosso antigo chevette, com tração traseira, por um mais novo e mais moderno. Ele adorava aquele carro velho, por mais que não admitisse e não deixou de dizer ao seu comprador, no ato de vende-lo, de que o carro apesar de antigo ainda rodava bem e estava com uma ótima mecânica. Afinal, meu pai sempre cuidou muito bem de seus automóveis. Contudo, ele não se dedicou a elogiar o automóvel para evitar ferir seus sentimentos e nem para enaltecer o quanto que aquele automóvel era moderno, e o quanto ele foi revolucionário, ou tinha sido uma grande máquina no passado. Ele foi o que um carro deveria ser. Ele carregou meu pai para trabalhar, levou nossa família em diversas ocasiões, felizes, tristes, necessárias. Mas, o chevette ficou obsoleto. Simples assim. São coisas da vida e vai acontecer com cada um de nós. Talvez até já esteja acontecendo. Quem sabe...


Com uma marca acontece o mesmo. Elas são criadas, fazem sucesso e servem (ou não à função para qual foram criados) e depois de um certo tempo, assim como acontece com os carros e as pessoas, acabam ficando obsoletas. No entanto, se com as pessoas, temos o dever de tratá-las com respeito e compaixão, fazendo-as entender sua utilidade e valor no passado, com as marcas a história não precisa ser “exatamente” a mesma.

Ninguém se preocupou em dizer que a máquina de escrever que deu ao mundo Hemingway, Bukowski, Graciliano Ramos, Jorge Amado e Nelson Rodrigues – dentre muitos outros – tornou possível a existência de grandes livros, foi incrível e ajudou o mundo a evoluir. Ela simplesmente foi extinta, dando lugar ao computador. A roda da evolução continuou, seguiu seu curso e fomos parar na lua. A máquina de escrever nos deu grandes escritores, contudo o computador nos fez possível chegar na lua. Ou alguém reclamou quando o microscópio eletrônico apareceu e praticamente desapareceu com os microscópios óticos? Acho que não. Um dos grandes homens na história recente da humanidade, o físico inglês Stephen Hawking, falecido faz pouco tempo – decorrente de uma doença degenerativa que o acomete desde sua juventude - ensinou, com sua personalidade, como devemos olhar para as coisas da vida: olhar para frente e ver o copo “meio-cheio”, procurando uma maneira de enchê-lo completamente.

Até porque, focando na importância do passado mais do que a do presente (e no futuro) estaremos caminhando voltados para trás. E quando a gente anda olhando para trás, perde a guia da dianteira, acaba tropeçando e o “copo meio-cheio” que se via “meio-vazio”, cai e passa a estar totalmente vazio.

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